Campo de Provas da Cruz Alta da GM possui uma Pista de Tortura onde os engenheiros afinam o som dos motores Chevrolet ao gosto do consumidor

CPCA tem de Pista de Tortura a engenheiro que afina o som do motor

• Estrutura do Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba (SP) é uma das mais completas do mundo para o desenvolvimento de veículos
• GM realiza cerca de 16 mil testes por ano no complexo que, desde a inauguração, em 1974, recebeu mais de US$ 120 milhões em investimentos
• Local possui uma área de preservação ambiental, mais de 500 mil árvores de reflorestamento e plantações de noz macadâmia e de milho

Com acesso restrito a visitas, o Campo de Provas da General Motors em Indaiatuba (SP) é um local que desperta a curiosidade das pessoas, pois é lá que a empresa desenvolve os veículos Chevrolet no Brasil, incluindo os futuros projetos.

Para que não sejam revelados antes da data de lançamento ao mercado, os protótipos circulam mesmo internamente camuflados.

Por ano, o Campo de Provas da Cruz Alta (CPCA) realiza cerca de 16 mil testes, entre os laboratoriais e os de rodagem. Suas instalações são uma das mais completas do mundo.

Entre as principais estruturas, destacam-se o laboratório de eletroeletrônica, o de segurança veicular e o de emissões. Há também o laboratório de desenvolvimento de sistemas de refrigeração e o de vibrações e ruídos.

Muitas das atividades desenvolvidas pelos engenheiros da GM no CPCA são bastante específicas. Há, por exemplo, um comitê responsável por “afinar” o som dos motores Chevrolet ao gosto dos consumidores da marca.

40 anos de evolução

O campo de provas conta ainda com 16 tipos de pistas de testes, uma para cada finalidade, como a Pista de Tortura, usada para medir a integridade estrutural do veículo. Nesse percurso, o motorista não consegue transitar acima de 20 km/h, pois o pavimento é cheio de “tartarugas” quadradas e irregulares, além de valetas dispostas em ângulos diferentes.

Nestas quatro décadas de existência do CPCA, mais de US$ 120 milhões foram investidos na modernização e na ampliação do centro, que, no início, tinha apenas a estrada de terra da propriedade e uma garagem, que servia de escritório aos técnicos.

 

A Pista de Tortura do Campo de Provas da Cruz Alta da GM possui uma área de preservação ambiental com mais de 500 mil árvores de reflorestamento e plantações de noz macadâmia e de milho

Naquela época, as tecnologias disponíveis também era outras. Os crash tests, por exemplo, precisavam de dois veículos, sendo um apenas para “puxar” o carro que bateria contra a barreira fixa.

Hoje, é possível realizar os mais variados experimentos virtualmente (por meio de supercomputadores) e certifica-los fisicamente depois, com teste realizados em condições absolutamente controladas.

Uma das últimas grandes obras do CPCA foi a construção do “Black Lake”. Esse nome deve-se ao fato de ele parecer um grande lago negro de asfaltado – são 120 mil m² de área, essencial à validação de sistemas eletrônicos de estabilidade, por exemplo.

Localizado a 110 quilômetros de São Paulo, o complexo é o maior do gênero em todo o hemisfério Sul.

Sustentabilidade

Desde a compra do terreno em 1972, a GM procura preservar as características do local ocupada hoje pelo Campo de Provas de Cruz Alta, no interior do Estado de São Paulo.

Estão lá, intactos, os velhos casarões da antiga fazenda habitados durante décadas pela família Waldemarin, ex-proprietária das terras. Pistas, laboratórios, escritórios e oficinas foram erguidos de maneira a não romper o equilíbrio natural, preservando a fauna e a flora locais. Para evitar acidentes com os animais nativos, foram construídas cercas ao longo das pistas.

A água potável é proveniente de poços artesianos que garantem a autonomia do CPCA. Já uma estação de tratamento de afluentes permite que o esgoto seja 100% tratado.

A preocupação da GM com a sustentabilidade pode ser comprovada ainda pela imensa área verde: são mais de 500 mil árvores fruto de reflorestamento e mais uma reserva de mata atlântica intocada.

No local, também há atividades agrícolas, como a produção da noz macadâmia e do milho, em substituição ao café que era plantado no local no passado.